Visão

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Desde o início  que o objectivo desta curta era olhar para lá dos discursos. Procurar as pessoas directamente afectadas. A questão era: depois de anos a discutir-se um tema, como o aborto, até que ponto as pessoas não se perderão no meio dos discursos.

Aprofundando, levou-nos a algo ainda mais rico. Toda a questão sócio económica que a envolve. Rapidamente nos reportamos há 30 anos atrás à primeira proposta de lei que colocou o aborto na agenda política e com isso a evolução do sistema de saúde e o progresso económico.

Em Portugal operava-se uma autêntica revolução. Os primeiros debates sobre o acesso dos jovens à contracepção desencadeado pela Associação para o Planeamento Familiar.

“Isolamento e  ignorância”. Eram os dois estigmas a abater.

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Salientamos, por isso, a importância da acção se passar em 1984, pois desta forma conseguimos um enquadramento político/social decisivo em muitos aspectos:

  • Discursos a respeito do aborto e a contracepção eram ainda mais extremados;
  • O Serviço de Saúde, como hoje o conhecemos, é oficializado;
  • A contracepção e o aborto são, pela primeira vez, debatidos na Assembleia da República;
  • Entrada de Portugal na CEE;
  • Para minimizar o isolamento das populações a política Cavaquista apostava no alcatrão.

Agora passados 30 anos vemos um trabalho inverso, fechando universidades e Centros de Saúde, colocando portagens nas vias rápidas que isolam ainda mais o interior do país. 30 anos depois a aposta parece ser: isolamento e ignorância.

A verdade é que se olharmos para o interior do país, em muitos casos, a diferença de costumes, até mesmo a paisagem, não mudou assim tanto. Isto só acentua a sensação de retrocesso no compromisso do Estado para com a população: segurança, saúde, educação… enfim – progresso.

Há violências, tão graves, quanto a violência física e igualmente assustadoras.



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